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    22-09-2022

    Cuidados Paliativos no MasterClass

    Preconceitos e falta de políticas públicas dificultam implantação de cuidados paliativos nos serviços médicos

    Falta de entendimento do papel dos paliativistas por parte de colegas médicos e da sociedade, preconceitos, necessidade de os cuidados paliativos transformarem-se em especialidade médica, falta de financiamento e de políticas públicas para a área, disponibilidade escassa de opióides e outros medicamentos para doentes terminais, e dificuldade de valoração dos honorários médicos de paliativistas. Estes foram os principais assuntos abordados no primeiro encontro do MasterClass, novo projeto do Cremesp, que conta com o apoio de suas comissões de Defesa do Ato Médico e de Educação Médica, lançado no dia 21 de setembro.

    Sob o tema As barreiras da implantação de cuidados paliativos em serviços médicos, o evento - transmitido online e disponível desde então no YouTube - contou com a participação do presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), Douglas Henrique Crispim; do ex-presidente da mesma entidade, Thiago Pugliesi Branco; e, pelo Cremesp, de sua presidente, Irene Abramovich; da vice-presidente e vice-corregedora interina, Maria Alice Scardoelli; e da 2ª secretária, Maria Camila Lunardi, que coordenou o encontro. O link para o Cremesp no YouTube é  https://youtu.be/x5vcsltpC3c. O evento está disponível também no YouTube da ANCP.
     O objetivo do MasterClass é realizar conversas presenciais e fortalecer relações com os presidentes e diretores das Sociedades de Especialidades.

    As barreiras do paliativismo
    A importância dos cuidados paliativos foi abordada por Thiago Branco. "Eles são uma abordagem multidisciplinar em relação a pessoas que passam por doenças ameaçadoras da vida, atuando para fornecer aos pacientes alívio e prevenção do sofrimento físico, emocional, social e espiritual. E não apenas aos pacientes que estão próximos do final da vida, mas, também para aqueles que passam a ter essa perspectiva. Os cuidados devem ser feitos  de forma individualizada, de acordo com suas necessidades. É um resgate da medicina humanizada." Para ele, é preciso conscientizar as pessoas de que a eficácia do cuidado paliativo é maior na medida em que há mais tempo de cuidar do paciente, em parceria com outros colegas de outras especialidades.

    É necessário ultrapassar oficialmente a barreira da desinformação e o conceito dicotômico de que a medicina modificadora contradiz o cuidado paliativo, assegurou Douglas Crispim. "Queremos viver mais, ficar livre das doenças, mas também queremos viver melhor. Os pacientes enfrentam o sofrimento da doença e, também, o do tratamento, seja hospitalar ou domiciliar. Temos o direito de que nosso sofrimento seja tratado com seriedade". Nós, médicos - ressaltou -, fomos formados na medicina tradicional com uma outra lógica. "No nosso livro tem introdução, diagnóstico e tratamento. Não tem depois do tratamento. E quando o tratamento não dá certo? Somos seres mortais e não podemos agir diferentemente disso", indagou.

    O cuidado paliativo não rouba os pacientes de outras especialidades, ele as ajuda a tornar o tratamento mais fácil e tranquilo, garantiu Crispim, ressalvando que "infelizmente, os pacientes são encaminhados tardiamente para os cuidados paliativos. Os gestores precisam entender que a principal causa de internação de pacientes graves são sintomas e a maioria deles - 51%, segundo estudos - seriam controlados em casa. Discutimos gestão de leito sem discutir a base. As causas que levam o paciente para dentro do hospital é o sofrimento e não discutimos a especialidade que cuida do sofrimento.”

    Em relação à barreira identificada no ensino médico, para a implantação dos cuidados paliativos de forma mais disseminada, Irene Abramovich foi enfática:  "está faltando tudo no ensino em relação a esses cuidados. Nenhuma escola médica tem a cadeira de paliativismo e o conhecimento dessa área. Inclusive, em alguns lugares há preconceito. Está na hora de colocar os cuidados paliativos na graduação e na residência médica, para que, pelo menos, uma grande parte de diferentes especialistas tenham  noção desses cuidados e saibam como e quando chamar paliativistas, e qual a importância desse trabalho. Precisamos desmitificar algo que me preocupa muito: o médico acha que o óbito é um fracasso seu e não algo que vai acontecer com todos nós e que temos de dar condições para isso ocorrer da melhor maneira  possível".

    Camila Lunardi complementou dizendo que os médicos têm uma formação direcionada para a cura e que as barreiras enfrentadas pelos cuidados paliativos não são apenas relacionadas à  desinformação. "É preciso tirar a capa de super-herói que o médico, muitas vezes, tem; e a certeza de que o paciente dele não morre e tem de receber todas as intervenções até o final. O paliativista é chamado no momento da morte e o que ele vai fazer nesse momento? Provavelmente, as possibilidades de diminuição do sofrimento já passaram e o paciente está na fase ativa da morte. O paliativista, então, pode ter uma barreira com a família, que nunca viu aquele médico antes. Como ela vai enxergar esse profissional "estranho", que vai chegar com uma série de informações novas e assustadoras, se até então só teve contato com o médico assistente?", ressaltou. 

    Maria Alice Scardoelli falou sobre a importância da maneira de como a informação sobre os cuidados paliativos chega ao médico, que em um primeiro momento está cuidando dos seu paciente e, em um segundo momento, também necessita de cuidados. "É preciso cuidar da relação com esse médico assistente e com a família. É esse assistente que chama os cuidados paliativos e que tem de ver como vai introduzir esse novo colega na relação com a família, apresentando-o como mais uma alternativa de conforto e bem-estar . O paciente, ao se sentir mais confiante e tendo um alívio na questão emocional, vai ter seu tratamento fluindo bem melhor", destacou. A vice-presidente do Cremesp falou também sobre a reativação Câmara Técnica dos Cuidados Paliativos, no Conselho, observando que esse tema sensível e delicado está sendo bastante discutido nessa instância.

    Veja as fotos do evento. 

    Fotos: Osmar Bustos
     


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